Terrabona Nature & Vineyards
Era uma vez uma quinta em plena Floresta Laurissilva, património mundial, com uma vinha abandonada de 22 anos. Os novos proprietários, Marco e Maria João, queriam fazer do espaço um local de agroturismo e, em 2016, decidiram recuperar a vinha e produzir vinho para vender no projeto turístico.
Com ajuda profissional, recuperaram a vinha com práticas "tendencialmente biológicas": sem herbicidas, em biológico três quartos do ano e com tratamentos fitossanitários apenas entre abril e agosto. Tornaram-se assim "o primeiro produtor com as vinhas licenciadas em produção integrada".
O primeiro vinho, de 2017, é um branco da casta Arnsburger, um cruzamento com origem na Riesling, com 10% de Verdelho das vinhas de uma tia de Maria João. O vinho conquistou os amigos e, para o avaliar "ao mais alto nível", os dois levaram-no a concursos em Londres e à avaliação de Robert Parker. Foi a prova de que "na Madeira podem fazer-se bons vinhos brancos".
O projeto transformou-se. As unidades turísticas passaram de seis para cinco para preservar a vinha, e os proprietários da Quinta do Cardo criaram uma micro-adega para três vinhos, num máximo de 1500 garrafas, com pequenos lotes em parceria com outros produtores da região. Os dois antigos bancários controlam toda a produção da uva, escolhida bago a bago e vindimada a partir das 5 da manhã, porque "toda a uva que entra na adega é uva boa".
O turismo passou a estar ligado à vinha, com o nome Terra Bona Nature & Vineyards, mantendo-se pequeno e quase artesanal: um terço da produção para Lisboa e Porto, um terço para o mercado regional e um terço para a casa.
Nasceu assim o 'Terra Bona' Family Harvest, uma história improvável de um vinho branco da Madeira.